Dizem que o cara joga fácil, que tem toda aquela manha de controlar
a redonda e, como se fosse mágica, encontrar com apenas um passe o companheiro
livre na cara do gol. Dizem também que é um jogador raro, que joga de cabeça erguida;
um fora de série no futebol Tupiniquim. Paulo Henrique Ganso acredita realmente
em tudo isso, porém esqueceu que para continuar sendo um vencedor no futebol é
preciso coragem, gana e muito suor dentro de campo.
No futebol de antigamente era até possível um cara com sua
categoria ser o diferencial. No passado, não existia tanta correria, tanta
marcação e o “meia clássico” não precisava correr atrás de volantes, fechar o
meio, dar combate na frente e ainda ter que pensar o jogo como ninguém. É, o
futebol evoluiu, os esquemas táticos se desenvolveram e a marcação ficou
bastante próxima. Hoje, com Ralfs, Paulinhos, Denilsons, Wellingtons, Aroucas,
Renê Juniors, Jeans, entre outros exemplos, é impossível um meia pensar que
haverá um segundo para o passe final sem que ele corra e faça os espaços
abrirem para o passe.Ganso sumiu...
O domingo era de clássico, de sua volta como titular a Vila sagrada de Pelé. Era a chance de ouro do novo 8 do São Paulo fazer os especialistas voltarem a dizer tudo aquilo do seu perdido futebol. E Ganso entrou em campo para uma sonora vaia da torcida, pegou pela primeira vez na bola e enfiou grande passe para Osvaldo. O passe foi tão bom que nem o “porra louca” do atacante tricolor entendeu e a jogada se perdeu. Após isso e engolido completamente por Renê Júnior, que o seguia em todos os lugares do campo, Ganso foi perdendo o brilho e sumiu completamente da partida. A situação do 8 é tão ruim que nem mesmo com seu time atrás no placar fez com que ele chamasse o jogo, que ele buscasse as bolas, que ele tentasse imprimir um ritmo mais forte e o protagonismo que nunca teve em sua carreira. Ganso aceitou a marcação e passou vergonha mais uma vez.
Contratado por uma ninharia, em uma aposta completamente
válida e interessante de Juvenal Juvêncio, Ganso veio para ser titular, está
sendo testado como titular e vem mostrando um futebol aquém até do que o do
terceiro reserva da posição. Para piorar, quando está em campo acaba pegando o
seu cômodo lugar na meia central, que é exatamente o ocupado por Jádson, o
melhor jogador do São Paulo neste início do ano. Com a entrada da “estrela”, o
baixinho é deslocado para a direita/esquerda e perde completamente sua função
no time. No caso o São Paulo perde o seu esquema campeão do 4-2-3-1 para o
ineficiente (até agora) 4-4-2.
No jogo de domingo, o São Paulo novamente jogou mal, as
bolas não chegavam a Luis Fabiano e Osvaldo praticamente não participou da partida,
não por omissão, mas sim por causa do esquema. O jogo de velocidade foi trocado
por inúmeros passes no meio campo com Ganso insistindo no infeliz e singelo
toque para o lado. A derrota de 3x1 para o Santos foi justa, mesmo com o cara
de amarelo facilitando demais as coisas para o time do alvinegro.
Ficou bastante claro que Jádson e Ganso juntos se anulam em
campo e o primeiro está com muito mais futebol que o segundo. Ficou bastante claro também que o esquema de
jogo deste time tricolor é o 4-2-3-1, com muita velocidade na frente e rápidas
trocas de bolas, o que Ganso não está fazendo. O pepino é bem grande para Ney Franco,
já que em todas as vezes que apostou no futebol do camisa 8 viu seu time ir
mal. Por hora a torcida aprova, incentiva e clama seu nome, mas até quando? O
que fazer com Paulo Henrique Ganso?

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